Hérnia de Disco em Cães

Nós da OrtoPet conhecemos bem a dedicação que nossos clientes têm com os seus pets, e que estão sempre atentos à tudo o que diz respeito a saúde deles. A Hérnia de Disco é disparadamente a doença neurológica da coluna vertebral que mais interfere na vida dos nossos pets, causando um grande impacto no dia a dia familiar. Isso devido as significativas e repentinas mudanças que ocorrem nas rotinas dos cães afetados e de seus donos logo após o surgimento da doença. Vamos aqui tentar ajudá-los a entender um pouco melhor do que se trata a Hérnia de Disco Canina e porque ela precisa de atendimento urgente e responsável feito por um médico veterinário especializado em neurocirurgia da coluna vertebral.

O que é a Hérnia de Disco Canina?

Também conhecida como discopatia canina ou doença do disco intervertebral em cães, a hérnia em cachorros é uma degeneração aguda ou crônica do disco intervertebral, uma estrutura que fica entre as vértebras da coluna vertebral.

Quando aguda, dizemos que ocorreu a saída do conteúdo gelatinoso que estava dentro do disco intervertebral. Este material que saiu de dentro do disco ou simplesmente herniou, estava “doente”, alterado na sua textura original (deixou de ser aquosa / gelatinosa, tornando-se dura como grãos de areia). Fica claro então que isso facilita o rompimento externo da camada protetora do disco e que ocorra então o choque dos “pequenos grãos de areia” contra a medula espinal ou os nervos que ficam na vizinhança desse discos.

Quais as principais causas da Hérnia de Disco em cães e qual é a idade dos animais que são afetados pela doença?

Nas raças pequenas chamadas condrodistróficas, ocorre uma transformação do conteúdo interno do disco, o chamado núcleo pulposo. Ele que é formado principalmente por água em sua composição, além de condroitina e queratina, possui uma propriedade hidro-elástica; contudo o disco se degenera perdendo água, desidratando-se e ocorrendo necrose das fibras, podendo mineralizar-se (formando os “grãos de areia”).

Essa degeneração condróide tem início por volta dos 8 meses até 1 ano de idade e evolui até cerca de 6 a 7 anos de idade. São esses os cães que estão sob maior risco de sofrerem Hérnia de Disco do Tipo I com saída de conteúdo do núcleo pulposo para o canal vertebral e passarem por neurocirurgia da coluna vertebral (Figura 1).

Já nas raças maiores chamadas não-condrodistróficas, isso não ocorre, e a degeneração é do tipo fibróide, mais lenta, ocorrendo por volta dos 8 aos 10 anos de idade e menos agressiva pois não ocorre a mineralização do conteúdo dos discos e sim apenas a inflamação com o inchaço dos discos intervertebrais (Hérnia de Disco do Tipo II), podendo em menor proporção precisarem de neurocirurgia.

Quais as raças mais afetadas pela discopatia em cães?

A hérnia de disco em cachorros ocorre em várias raças pequenas e grandes também.

As mais acometidas de tamanho pequeno são o Dachshund (é o cão que mais passa por neurocirurgia de descompressão da medula espinal em nossa clínica), o Lhasa Apso, o Shih Tzu, o Cocker Spaniel, o Maltês, o Poodle, o Beagle e os SRDs (sem raça definida).

Entre os cães maiores estão o Labrador e o Golden Retrievers, e o Pastor Alemão. Parece não haver diferença quanto ao sexo dos animais, sendo machos e fêmeas “igualmente” afetados. A DDIV (doença do disco intervertebral) é bastante comum, aproximadamente 23/1000 cães por ano.

Quais são os principais sinais e sintomas que os cães portadores da DDIV apresentam?

Na discopatia cervical (pescoço) podem apresentar cabeça para baixo com restrição dos movimentos do pescoço, olhar sofrido, dor (não aceitam passeio com guia e coleira), vocalização repentina aparentemente sem motivo, se alimentam menos, podem apresentar manqueira nas patas da frente ou das quatro patas (variável), quadro crônico / agudo.

Na discopatia tóraco-lombar (costas) podem apresentar episódios de dor, aparência corcunda, fraqueza aguda e repentina das patas traseiras, incoordenação motora com rápida progressão e paraplegia se Hérnia de Disco do Tipo I ( quadro agudo com saída ou extrusão de conteúdo discal para o canal vertebral = neurocirurgia de urgência / emergência) com sinais de incontinência urinária (podem ficar horas sem urinar). Nos casos crônicos podem apresentar atrofia dos músculos das costas e / ou pernas, além de incoordenação motora mais suave. Geralmente esses cães já foram tratados algumas vezes com anti-inflamatórios e analgésicos. Cuidado com a transição do que é quadro crônico para o quadro agudo.

Como é feito o diagnóstico da Doença do Disco Intervertebral em cães?

Deve ser feito por ortopedista ou neurologista veterinário especializado por meio de exame físico e neurológico, radiografia simples (Hérnia de Disco do Tipo II – tratamento clínico), Tomografia Computadorizada ou Ressonância Magnética ( Hérnia de Disco do Tipo I – neurocirurgia).

Qual o tratamento para os casos de Protrusão ou inchaço do disco sem saída de conteúdo discal para o canal vertebral?

De maneira geral, com anti-inflamatórios esteroidais (corticóides), analgésicos, relaxantes musculares e repouso.

Qual o tratamento para os casos de Extrusão de disco ou saída de conteúdo discal com compressão da medula espinal com conseqüente paraplegia do animal?

Após a constatação da herniação do Tipo I e da localização exata do conteúdo dentro do canal vertebral por meio da tomografia computadorizada ou da ressonância magnética, o neurocirurgião veterinário poderá indicar o procedimento de descompressão da medula espinal como forma de tratamento. Na oportunidade o pet deverá ter as condições necessárias para receber esse tipo de procedimento cirúrgico.

Existe alguma prevenção à ser feita para impedir a DDIV em cães?

A melhor forma de se prevenir a DDIV nos cães é conversar com o médico veterinário especializado em neurologia da coluna vertebral. Agende uma consulta, pergunte, exponha suas dúvidas, enfim, ele poderá orientá-lo da melhor forma possível, dar-lhe dicas e sugestões que serão de muita utilidade para tratar o seu amigão pet da maneira que ele precisa ser tratado.

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