DDIV – Doença do Disco Intervertebral

Nos animais, assim como nos humanos, a principal função da coluna vertebral é dar sustentação ao corpo e permitir movimentos.

A coluna vertebral de cães e gatos é composta por 30 vértebras (cervicais, torácicas, lombares e sacrais), isso sem contar as vertebras da cauda (coccígeas), que variam entre 20 a 26. As vertebras são ligadas entre si por ligamentos e pelos discos intervertebrais, uma estrutura formada por duas partes: uma externa, chamada ânulo fibroso ou anel fibroso, formada por colágeno; e outra, interna, conhecida como núcleo pulposo, que tem uma textura gelatinosa e é constituída por substâncias como sulfato de condroitina, sulfato de queratina e aproximadamente 80% de água. Isso quer dizer que toda vez que seu pet anda, corre, pula, salta, se coça ou simplesmente abana a cauda, ocorrem movimentos na coluna vertebral dele e esses movimentos são facilitados e amortecidos pelos discos intervertebrais.

As regiões cervical e lombar possuem vertebras maiores e mais largas, o que permite movimentos mais amplos. Já na região torácica as vertebras são mais estreitas, o que faz com que essa região seja responsável por 70% dos casos da Doença do Disco Intervertebral, mais conhecida como Hérnia de Disco. Os cães são os mais acometidos, porém os gatos não estão excluídos.

Hérnia de Disco

Com o passar dos anos o anel fibroso e o núcleo pulposo perdem água causando degeneração e perda da elasticidade do disco intervertebral, o que prejudica as funções de absorver os impactos e permitir mobilidade da coluna vertebral. Existem dois tipos principais de hérnia de disco intervertebral: Extrusão e Protrusão.

Na Extrusão, também chamada de Doença de Hansen Tipo I, o anel fibroso se rompe e a substância, já então desidratada e calcificada, contida no núcleo pulposo entra em contato com a medula. Ocorre o que se costuma chamar de extrusão ou uma “explosão” do disco.

Na Protrusão, também chamada de Doença de Hansen Tipo II, ocorre o inchaço do disco, que vai pressionar a medula espinhal e suas ramificações.

Tanto a protrusão quanto a extrusão causam compressão e danos à medula, o que causa dor, incoordenação de movimentos e até paralisia de um ou mais membros.

Quais as raças mais acometidas?

A extrusão ou Hansen Tipo I é comum principalmente nas raças Dachshund, Beagle, Basset Hound, Pequinês, Cocker Spaniel, Poodle, entre outros. Nestas raças a degeneração do disco começa cedo, antes de um ano de idade. Estima-se que no primeiro ano de vida, de 30 a 60% dos discos intervertebrais dessas raças apresentem degeneração. No caso dos Dachshunds, aos dois anos de idade, 90% dos discos apresentam-se degenerados. Por volta dos 6 a 7 anos, 100% dos discos estão degenerados e 75% sofreram inchaço ou protrusão, causando ou não sintomas neurológicos e possibilidade de extrusão (ruptura) do disco.

A protrusão ou Hansen Tipo II tem início de forma mais lenta nos caninos de raças maiores como o Labrador, Golden Retriever, Pastor Alemão, Dog Alemão e outros. Nestas raças a degeneração se inicia entre os cinco e dez anos de idade, ocorrendo tanto em machos quanto em fêmeas.

Diagnóstico

A doença do disco intervertebral é diagnosticada por meio de:

  • Histórico do animal;
  • Quadro clinico, que poderá ser caracterizado por dor, incoordenação motora, incontinência urinária, falta de apetite, etc.;
  • Testes neurológicos, para determinar o local exato da lesão, nível de dor, o grau de sensibilidade e perda de mobilidade;
  • Exames de imagem, como mielografia (radiografia com contraste) ou tomografia computadorizada da coluna vertebral.

Tratamento

Fatores como idade, duração e gravidade dos sinais clínicos, achados neurológicos e estado físico do animal, serão determinantes para escolha do tipo de tratamento, que poderá ser cirúrgico ou clínico.

Tratamento Clinico

O tratamento terapêutico é feito com o uso de medicamentos, como anti-inflamatórios esteroidais de baixa potência e analgésicos. Também é necessário que durante o tratamento clínico o animal fique em repouso absoluto, sempre com água fresca disponível. Os exercícios físicos não são permitidos, portanto o animal não deve pular do sofá, subir ou descer escadas, brincar com outros animais, etc. A movimentação deverá ficar restrita aos momentos em que ele precisar urinar ou defecar e se alimentar. O controle de peso também é muito importante nessa fase, pois o excesso de peso sobrecarrega a coluna vertebral. Diminuir a quantidade de comida pode ser necessário, para evitar que o animal engorde. Seguir rigorosamente as orientações do médico veterinário, respeitando os horários, intervalos e tempo de administração dos medicamentos.

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico é feito por meio da descompressão da medula espinhal, que consiste na remoção do material calcificado da região medular. Após a cirurgia, seu pet poderá apresentar dor, dificuldades para urinar ou defecar e dificuldade de movimentar as patas dianteiras ou trazeiras.

Fisioterapia

Inicialmente o tratamento deve ser feito por um fisioterapeuta veterinário, que normalmente orienta exercícios para serem feitos pelo proprietário em domicilio. São feitos exercícios para estimular a marcha e promover a recuperação da massa muscular, como por exemplo, a marcha auxiliada com toalha. A hidroterapia pode ser de grande ajuda, numa fase um pouco mais avançada da recuperação.

É importante respeitar as datas de retorno no acompanhamento pós-cirúrgico. Normalmente a retirada dos pontos cirúrgicos é feita de 7 a 10 dias após a cirurgia. As reavaliações são feitas na terceira e na sexta semana depois da cirurgia e a reavaliação final acontece depois de seis meses.

Duvidas? Sinta-se á vontade para falar com o médico veterinário do seu pet.

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